Construções e apoios em torno de João Azevêdo podem gerar uma “supercandidatura” contra a direita em 2022 – ENTENDA

As próximas eleições gerais acontecem apenas no fim de 2022, mas desde o término das eleições municipais de 2020, as figuras políticas do estado já estão pavimentando seu caminho rumo ao próximo pleito. Uma delas é o governador João Azevêdo (Cidadania), que naturalmente, disputará a reeleição. E as primeiras movimentações políticas indicam que, a preço de hoje, João poderá ter uma “supercandidatura”, aglutinando vários partidos e lideranças, do Litoral ao Sertão.

João soma alguns apoios já declarados publicamente, apoios esses que podem trazer ramificações e deverão influenciar na composição da chapa.

Um deles é o do MDB, presidido no estado pelo senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB). Veneziano já declarou publicamente que a sigla deve apoiar João Azevêdo em sua candidatura. Veneziano também já anunciou apoio à candidatura do deputado estadual Efraim Filho (DEM) à única vaga do Senado pela Paraíba em 2022, e esses dois episódios, de maneira indireta, podem levar Efraim a uma chapa majoritária com João. Um terceiro nome seria o da esposa de Veneziano, Ana Cláudia (Podemos), atual secretária estadual de Articulação e do Desenvolvimento Social, que hoje é pré-candidata a deputada estadual.

Outro partido que trará sua força para o lado de João Azevêdo é o Avante. O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Adriano Galdino (PSB) é apoiador e aliado político de João Azevêdo, e muitos o colocam como possível candidato a vice-governador na chapa. Adriano em breve deverá se filiar ao Avante, partido que é presidido na Paraíba por sua esposa, a prefeita de Pocinhos, Eliane Galdino. Outro nome da família que deve ingressar na legenda é Murilo Galdino, irmão de Adriano, que é secretário estadual na gestão Azevêdo.

Há também que citar a relação protagonizada entre João e o Progressistas (PP) em 2020, nas eleições para prefeito de João Pessoa. Em apoio entre Cidadania e PP, João Azevêdo apoiou a candidatura e posterior vitória de Cícero Lucena (PP) na prefeitura de João Pessoa.

O articulador dessa união foi o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), e não seria inesperado que o inverso acontecesse em 2022: um apoio de Cícero e o PP para a candidatura de João em 2022. Aguinaldo já declarou publicamente que o partido deve ter um nome para disputar a majoritária no próximo ano, e que pode dialogar sim com o governador.

Outro partido e grupo político que teve o apoio de João Azevêdo nas últimas eleições municipais foi o Republicanos, que teve o então deputado estadual Nabor Wanderley eleito para prefeito de Patos em 2020. O deputado federal Hugo Motta (Republicanos), filho de Nabor, já declarou publicamente que ele e o partido apoiarão Azevêdo em 2022.

A mais recente “mudança” nesse xadrez político foi envolvendo o nome do ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV). Colocado nos bastidores locais como possível integrante de chapas da direita/oposição em 2022, Luciano disse em entrevista recente que dialoga com todos os espectros políticos, mas ao que tudo indica, deverá permanecer na esquerda. O Partido Verde (PV) deve se unir, nacionalmente, com o PT, e essa aliança pode ter repercussão na Paraíba.

O PT na Paraíba já anunciou publicamente que deverá se manter na base governista de João Azevêdo. Nesta semana, partidos de esquerda na Paraíba, entre eles PSOL, PT, PSB, PV, Unidade Popular (UP) e PCdoB se uniram para formar a “Unidade Democrática pela Paraíba”, com o objetivo de resistir e se opor, juntamente, ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Uma vez que a oposição a João Azevêdo busca para o próximo pleito o apoio do presidente, os partidos que compõem essa União Democrática podem pender também para o lado do governador. Com isso, estando no PV, Cartaxo poderia, mesmo que indiretamente, ser mais um político no grupo de apoio a João.

Oposição

E em meio a tantos apoios já anunciados e outros sendo costurados, quem seria hoje a oposição à candidatura de João?

Quatro são os nomes atualmente postos para esse enfrentamento: o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), Pedro Cunha Lima (PSDB), Nilvan Ferreira (MDB) e até o nome do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) tem sido especulado.

Contudo, atualmente, essa direita se mostra fragmentada, uma vez que tanto Romero quanto Pedro já anunciaram que hoje são pré-candidatos ao governo do estado. O nome de Nilvan, que deve sair do MDB para se filiar ao Patriota (de quem já recebeu o convite, inclusive), é mais cogitado para compor chapa com Romero do que se lançar cabeça de chapa.

Fato é que a direta está hoje fragmentada e virtualmente sem musculatura suficiente para enfrentar essa “supercandidatura” que aparenta se configurar no Estado.

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