Xand Avião desabafa sobre DJ Ivis: ‘Para mim foi muito difícil, é um amigo’

Xand Avião considera “Superação Digital”, música que lança logo mais, à meia-noite, um “divisor de águas”. Ainda abalado com o caso envolvendo seu amigo e ex-produtor musical, DJ Ivis, o forrozeiro quer “seguir com a vida” e colocar um ponto final nesse assunto. Para isso, diz que precisou “se reinventar”.

Entre as mudanças, a principal foi voltar a produzir suas próprias músicas, após 7 anos de parceria com o DJ. Em entrevista exclusiva a Splash, Xand falou pela primeira vez à imprensa sobre as agressões de Ivis à mulher, Pamella Holanda, levando o músico à prisão, em julho.

Falando como Alexandre e não como o cantor Xand Avião, para mim foi muito difícil, porque é um amigo, um cara que estava colado comigo quase 24 horas por dia. Pegou todo mundo de surpresa.

Xand Avião

A parceria com Zé Vaqueiro é o primeiro single do EP “Viva La Vida”, que ele deve lançar ainda em agosto. Como uma espécie de slogan do novo projeto, Xand tem usado nas redes sociais a frase “é o Comandante no comando”.

A gente teve que tirar a bunda da cadeira e começar a pensar, ver que existem outros caminhos. É se reinventar e provar que a turbina e o combustível do avião sou eu, modéstia à parte. Esse trabalho não tem só o meu dedo, tem meu corpo inteiro.

Gravado em junho, antes de os vídeos das agressões virem à tona, o EP foi todo regravado sem a participação de Ivis. Dessa vez, Emanoel Dias, que já trabalhou com Xand na época do Aviões do Forró, ajudou o forrozeiro na produção de algumas faixas. “A maior parte delas eu fiz 100%”, conta o cantor.

Xand, que atuou como produtor musical no início dos anos 2000, quando criou o Aviões, descreve a nova rotina, sem o antigo parceiro:

Digamos que eu tive que voltar a trabalhar de novo. Porque eu só chegava para cantar. O DJ cuidava de tudo e só falava: ‘Xand, faça assim e assim’.

Seguir adiante foi preciso, mas não foi fácil. Além de ter que reaprender fundamentos de produção musical, Xand precisou de tempo para assimilar o ocorrido.

Até mesmo no ensaio a banda também estava meio desanimada, nos primeiros dias, porque eram 7 anos de convivência, de produção. Mas acho que a gente vai se acertar, sim. A vida segue e vamos em frente.

Respeito pelo trabalho do DJ Ivis

Xand defende que não se jogue fora o trabalho anteriormente feito pelo DJ e destaca a importância dele para o sucesso do forró.

Ele errou feio, a gente não pode tirar a culpa dele, e está pagando por isso. Mas ninguém pode apagar o talento do cara também. O que ele fez no forró é fora do comum, tanto que tem várias pessoas seguindo o que ele vinha fazendo.

Para “Viva La Vida”, o forrozeiro promete uma sonoridade que vai agradar também os fãs mais antigos, que reclamavam a pegada “muito eletrônica” de Ivis:

“Depois da música com a MC Danny [o sucesso ‘Não Pode Se Apaixonar’], alguns fãs começaram a me chamar de MC Xand, dizendo que eu estava perdendo a essência do forró.”

Agora, ele diz ter conseguido juntar a febre do piseiro moderno com a “pegada tradicional do avião”:

Eu não estou voltando ao que eu fazia inicialmente, até porque tudo mudou, Vou tocar o meu forró do jeito que eu tocava, com uma pitadinha do piseiro.

Mas a mudança, segundo o cantor, não tem como objetivo “se descolar” do som consagrado pelo antigo parceiro. O Comandante, por sinal, admite a influência profissional de Ivis na sequência de seus projetos.

É lógico que no meu novo trabalho eu fiz coisas que ele faria, tentei pensar como Ivis. Não quero fugir do som que ele ajudou a criar. O que ele fez é totalmente errado, mas a obra dele a gente não pode apagar. O cara é talentosíssimo, totalmente fora da curva. Então a gente vai continuar a fazer o som porque é bom.

‘Preferia ser só cantor’

Além de toda a reprogramação artística, Xand também precisou agir como empresário no caso de Ivis. O DJ era um dos artistas da Vybbe, escritório que o cantor abriu para cuidar da carreira de nomes como Zé Vaqueiro e Nattan. No mesmo dia da revelação das imagens das agressões, ele anunciou que Ivis seria desligado da empresa.

Foi muito difícil, mas infelizmente era o que eu tinha que fazer. Um dia, quando ele sair, ele vai entender, porque o que ele fez é errado. Isso eu não admito, independentemente de ser meu amigo e meu produtor, poderia até ser meu pai. Eu não aceito violência contra a mulher. Nunca briguei com ninguém e não acho que é assim que se resolve as coisas. Se fosse para fazer de novo, eu faria.

A experiência, no entanto, desgastou o cantor. Xand admite que vinha gostando de ser empresário, mas não estava preparado para lidar com esse tipo de situação. “Te falar que eu preferia ser só cantor, viu? Eu não sabia que era tão complicado assim”, diz ele, que vem prestando apoio financeiro e jurídico a Pamella.

Antigamente, a minha responsabilidade era só com a minha carreira, o que já é muita coisa. Quando você cuida da carreira de alguém, você está com o sonho de uma pessoa na sua mão.

Mesmo assim, o Comandante comemora o sucesso de seus dois pupilos, Zé Vaqueiro e Nattan: “O Zé tem um talento enorme e deu certo, mas poderia não ter dado e ele falar: ‘Não dei certo não só por mim, mas porque minha agência e meu empresário não me ajudaram”.

Zé Vaqueiro e os outros destaques da nova geração forrozeira fazem Xand olhar para 2022 como “o ano do forró”.

“A gente chegou no topo no meio da pandemia. Quando puder voltar a fazer show pelo Brasil inteiro, vai ser muito bom, porque esses meninos têm muito para mostrar. E eu estou no meio dessa galera”, conta o cantor, empolgado.

Na gravação do EP, Xand teve o primeiro gostinho desse retorno do contato com o público: “A gente teve alguns convidados, porque aqui no Ceará os shows estão liberados para até 200 pessoas em locais abertos e, como foi em uma lagoa, as pessoas puderam assistir de suas lanchas”.

Fonte: UOL

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